“O Ritmo das Coisas”

“O Ritmo das Coisas”

Tem me impressionado muito o período histórico que estamos vivendo. As notícias que nos chegam de todo o mundo nos mostram um cenário confuso, caótico. A violência em todos os sentidos em que ela se expressar impera e parece que todo o planeta entrou em uma onda de caos e destruição.

 Alguns analisam e dizem que isso sempre aconteceu no curso da história da humanidade e que são ciclos inevitáveis. Me peguei pensando no assunto e no quadro geral que enfrentamos, principalmente aqui em nosso país e comecei a escrever sobre isso. Por se tratar de algo pesado e difícil de encarar, pois envolver o lado obscuro da humanidade, busquei na música e em leituras relacionadas a ela momentos de refrigério, de paz.

Foi quando me vi de volta a uma leitura que tinha feito faz um tempo, reli “Alucinações Musicais” do neurologista Oliver Sacks. Em minha opinião ele escreveu alguns livros memoráveis sobre os mecanismos de funcionamento do cérebro quando lesionado ou impedido por uma doença de exercer suas funções plenamente.

Em Alucinações Musicais ele discorre sobre como nosso cérebro lida com a música e a capacidade que esta tem de nos alcançar fisicamente e emocionalmente.

Creio que ninguém discorde do poder da música em mexer com nossas emoções, desde muito tempo nós a utilizamos para dar o “clima” de determinado acontecimento. Festa animada tem boa música, um pequeno trecho musical nos remete a sentimentos de tensão, romance, alegria e suspense nos filmes. Casais tem músicas que marcaram momentos românticos e a publicidade sabe como ninguém usar a música para influenciar nossas decisões de compras. Poderia citar aqui vários exemplos.

Além disso, também é conhecido de todos que uma música pode influenciar nosso humor, assim como nosso humor pode influenciar a forma como ouvimos determinada música. Comigo pelo menos é assim, tenho uma coleção de discos (sim discos rs) das Sonatas para piano de Mozart. Se estou triste as sonatas me soam extremamente soturnas, depressivas, se estou feliz, de bem com a vida, elas me soam suaves, tranquilas e festivas.

Mas quais são os efeitos fisiológicos da música em nós? Bem, lendo Sacks me parece que não há como dissociar os efeitos emocionais dos fisiológicos, se nos atinge emocionalmente é porque nos atinge fisiologicamente, igual àquela velha questão do biscoito, sabe? Vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais, pois é.

Nosso cérebro lida com a música de uma forma fascinante o que dá a ela um enorme poder sobre as nossas emoções e por outro lado nossas emoções influenciadas pela música alteram fisiologicamente o funcionamento de nosso cérebro.

Um elemento da música que parece ter uma influência grande em nosso cérebro é o ritmo. Neste caso não importa muito o tipo de música que você goste, o ritmo, a divisão do tempo da música tem efeitos interessantíssimos em nosso cérebro e em nossas emoções.

No vídeo a seguir Oliver Sacks fala sobre os efeitos da marcação do ritmo sobre uma pessoa com Parkinson, mas qual a relação disso com a violência, com os casos frequentes que estamos vendo de balas perdidas, balas não perdidas, facadas, corrupção, roubos, enfim, de um total enfraquecimento dos princípios morais?

Vejam que interessante, o caso citado é extremo, tratam-se de pessoas que apresentam um problema no funcionamento neurológico, que perderam a capacidade de se mover em um tempo normal, como diz Oliver Sacks no vídeo, porém a música lhes permite ainda que por um pequeno momento retomar essa condição. Não seria exatamente isso que está nos faltando como sociedade?

Tudo parece fora de compasso, sem ritmo, parece que tudo está fora de tempo, perdemos nossa capacidade de nos movermos de forma harmoniosa. Como sociedade me parece que todos estamos doentes, estamos todos nos movendo desordenadamente e não há como termos outro resultado que não o caos.

Não temos como fugir desta analise e nem temos como nos eximirmos e não tomarmos uma posição, mas hoje o que proponho é que ouçamos “Fantasia de Chopin” em Fá menor, buscando retomar ainda que por alguns momentos nossa capacidade de nos movermos em harmonia e em paz.

Abraços, PAZ

Flavia Carvalho

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